sexta-feira, 1 de março de 2013

8º Aniversário da Alagamares


A Alagamares- Associação Cultural completa 8 anos dia 9 de Março de 2013.

Projecto de carolas gisado em fins de tarde nos cafés de Galamares, Alagamares se lhe decidiu chamar, por ser esse o primitivo topónimo da aldeia onde a maioria dos fundadores morava e, porque tal como o mar alagava o rio das maçãs quando este era navegável, também assim se desejou, que como a água purificadora, o conhecimento e o desafio de alargar o espírito alagassem as mentes dos que connosco abraçaram este projecto.

Fizemos colóquios e passeios, oficinas artísticas e debates, convívios e conferências. Não esquecemos valores locais, em carne e em pedra. Zelámos para que um chalé arruinado revisse portentoso a luz de Sintra e o seu cheiro inebriante. Demos a conhecer e aprendemos. E, apesar do mar revolto e dos pequenos adamastores, continuamos nessa senda, por vezes quixotesca, mas que por isso mesmo nos torna cidadãos mais reconciliados connosco próprios, caminhando na Estrada e não nas bermas, nesta terra com uma serra por sentinela, milenar guardiã e larvar berço de lendas e histórias, de mouros e cristãos, visionários e viajantes, aristocratas e feiticeiros, espantados com o sempre odorífico triunfo do verde e em presépio aninhando casas, palácios, fontes e miradouros, na pretérita lembrança do Cruges e Calisto Elói, de Garrett e Zé Alfredo, de Anjos Teixeira e M.S.Lourenço, da feiticeira Llansol e de Nunes Claro, ou mesmo até do Carvalho da Pena cavalgando na serra, druida da floresta e dos lagos.

Em Sintra assentámos arraiais e hipnotizados mirámos o castelo onde invisíveis ogres lançam caldeirões de azeite e soturnas bruxas invadem a noite em holográficas vassouras. Aqui escutámos os passos dum rei prisioneiro e o ecoar das festas joaninas, um amargurado Camões lendo para um rei alucinado, a condessa d’Edla e D.Fernando, acorrendo à Vila com o repicar do sino em S. Martinho ao fundo.

A Alagamares está na estrada e não na berma. Sem dinheiro, mas enriquecida pelo contributo dos que amam Sintra e a querem como vila criativa e nicho de cultura, onde cada cidadão seja um jardineiro e cada munícipe um laborioso operário dessa utópica Pólis, voltado para o primado do Nós e refreando os Egos que todos juntos apenas subtraem e nada somam.

Estaremos no abate injustificado de cada árvore, na divulgação dos artistas sem luzes da ribalta e dos arredados da fama. Estaremos na luta pelo restauro do património público e privado que sangra em muitas vielas da Vila Velha ou nos iníquos depósitos de gente e frustrações que são os subúrbios a que chamam áreas metropolitanas. Estaremos no desfolhar deste livro ainda incompleto que é Sintra e as suas gentes.

É tempo de celebrar. E além de celebrar, lembrar. Lembrar que a esperança se constrói e não é só um estado de alma; que o Futuro sem desafio em breve será um passado desolador, que é este o momento e a hora da nossa geração deixar marcas e pegadas que um dia nos possam deixar dizer: valeu a pena. E ao dar a conhecer a nossa História e tradições, artistas e artesãos, tendo sempre em mira a necessidade da inscrição, como escreveu José Gil, de ter espírito crítico e modelador da cidadania na nossa apreensão das expressões culturais, atentos àquilo que com a cultura se pode alterar, inscrevendo a verdadeira mudança e não a mera reprodução de modelos e estereótipos, fazer da cultura e da expressão cultural uma arma para transformar intrinsecamente a sociedade e não apenas um camarote de vaidades ou manifestações culturais acríticas e folclóricas, pindericamente estrangeiradas e serôdias.

Somos poucos, mas seremos aquilo que nenhum triunvirato de usurários da finança conseguirá que deixemos de ser: livres e com opinião, livres para ouvir e para falar, construtivos no objectivo de destruir atavismos mentais e abrir portas à suave brisa da mudança.

Pelo ano fora, haveremos de nos ver por aí, em debates e roteiros, em intervenções e denúncias, e cúmplices, saberemos quem somos e ao que vimos, e dia a dia, evento a evento, haveremos de escrever com letra grande a palavra Cidadão.

Sobre as nossas actividades nestes 8 anos, ver em




Dia 9 de Março a Alagamares celebrará o seu 8º Aniversário com a seguinte programação:


10H- Roteiro pedonal do Soldado Desconhecido a Seteais revisitando 10 séculos de História de Sintra. Grátis, inscrições para o alagamaressintra@gmail.com Max 40 participantes.

NO LEGENDARY CAFÉ:

14h45m- Demonstração de yoga, por Maria João Bandarra. 50m. Entrada livre.”Alagamares Amares: Terra Natal de Gualdim Paes? O Sonho Índia seria o sonho templário?

15h50m- Renato Epifânio, presidente do Movimento Internacional Lusófono apresenta o último número da revista “Nova Águia”

16h15m- Tertúlia “Cultura e Cidadania em tempos de Incerteza” com Gabriela Canavilhas, José Manuel Fernandes, São José Lapa, Miguel Real, Sérgio Luís de Carvalho, entre outros

20h30m em diante- Música e poesia pelos amigos da Alagamares

22h22m- Spoken Word pelos Orbes Ir Indo 


ATRÁS DA CULTURA ESTÃO PESSOAS!


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