domingo, 1 de janeiro de 2012

Ainda as árvores:podas e substituições



Continua na ordem do dia a polémica (mesmo incompreensível) intervenção que os serviços camarários vão fazendo em diversas árvores no centro de Sintra. Apesar de a única comunicação pública ter sido feita pela Câmara Municipal através do seu website referindo que “A Câmara Municipal de Sintra deu início à substituição de árvores que se encontram em deficientes condições fisiológicas para permanecer em locais públicos, após estudo efectuado pelo Instituto Superior de Agronomia.”  , nunca até ao momento isso se verificou.
Ainda esta semana, na Correnteza diversas árvores foram substituídas por… calçada.


Se estas acções se revestem de grande controvérsia, embora possam ser aceites mediante possíveis pareceres técnicos, inqualificável a todos os títulos é a forma de procedimento por parte da instituição que mais deveria zelar pelo património cultural à sua guarda.
No entanto, se reflectirmos um pouco, concluímos que este património “em risco” foi substituído de forma semelhante, por exemplo, à cobertura do café Paris, bem no Centro Histórico, num passado recente. Embora propriedade privada, encerra em si interesses bem públicos, quanto mais não seja pela arquitectura do lugar.
Significará por estas bandas “substituição” o mesmo que “remoção”? E que coerência existe, por exemplo, também em relação ao Vale da Raposa, autêntico matagal e depósito de lixo, em perigo claro de incêndio nos meses de Verão, posição já assumida pelas corporações de Bombeiros? Não haverá aqui risco eminente para a segurança pública? É privado, eu sei mas… que raio! Então servirá só a fiscalização para intervir em situações menores e por vezes caricatas?
Coincidência ou mera curiosidade, aquando de umas pesquisas que estou a desenvolver na imprensa regional sintrense, encontrei estes artigos no jornal Ecos de Sintra de 1946.






Vale a pena ler e verificar como estas questões que nos assolam a paciência nos dias de hoje, já levavam à irritação os nossos antepassados de há 65 anos, até mesmo na capital. Também neste particular, e infelizmente para nós, a imprensa regional era outra…
E já agora, o que se faz à lenha das árvores abatidas? Em 1946 era vendida em hasta pública…
Oxalá que daqui a 65 anos as coisas estejam bem diferentes!
Ricardo Duarte.

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