terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A.M.Pires Cabral, um escritor algures a nordeste


Inaugurando um ciclo de entrevistas com figuras da Cultura Portuguesa, que incluirá escritores, músicos, homens do teatro e do cinema,” gente que mexe e faz mexer”, começamos o mesmo com uma entrevista ao premiado e conceituado escritor transmontano António Manuel Pires Cabral. Leia ABAIXO:

Licenciado em Filologia Germânica e em Ciências Pedagógicas A. M. Pires Cabral começou a carreira de professor no Porto entre 1970-71, sendo depois director das Escolas Preparatória e Industrial de Torre de Moncorvo (1971-74) e fixando-se de seguida em Vila Real onde foi professor da Escola Secundária de Camilo Castelo Branco até 2002.A. M. Pires Cabral é um escritor tardio, publicando a sua primeira obra de poesia, Algures a Nordeste em 1974, já com 33 anos, mas desde essa data tem mantido uma produção literária constante, tendo alcançado o Prémio Literário Círculo de Leitores com o seu romance de estreia, Sancirilo, em 1983.
Com uma vasta obra a rondar as dezenas de títulos (excluindo as antologias escolares para o ensino do Português de que é co-autor, com Hirondino da Paixão Fernandes, mais concretamente: Verde Pino, Seara Hoje e A Hora), nele é possível encontrar poesia, romance, conto, teatro, narrativas de viagens, crónica e ainda antologias temáticas, grande parte delas dedicadas à realidade rural transmontana, com a qual se identifica. Um dos livros que merece especial atenção deste ponto de vista é O Diabo Veio ao Enterro, obra que reúne características de conto, crónica, e recolha da tradição oral transmontana. Em 2006 recebeu o Prémio D. Dinis atribuído pela Fundação Casa de Mateus. Vasco Graça Moura sintetizou a sua obra como a de um dos mais importantes poetas ligados ao Douro, acrescentando que, como poeta “não passa à margem da história”, “de vocabulário culto” e “matriz clássica”, mas com uma “semântica concentrada na vida do nordeste”. Em 2008, o romance O Cónego foi o grande vencedor do Grande Prémio de Literatura DST. Já em 2009 ganhou o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava, referente aos livros de poesia publicados entre 2007 e 2008, com a obra As Têmporas da Cinza. "A limpidez e a precisão da escrita de A. M. Pires Cabral, a sua penetrante e austera visão dum mundo cuja expressão encontra numa espécie de imitação da terra o modelo para uma linguagem poética de invulgar intensidade, fazem deste autor um dos casos mais representativos da nossa melhor poesia contemporânea” disse o júri na justificação do prémio.
Pela tónica na temática rural do Nordeste Português, Pires Cabral é considerado um dos maiores poetas e escritores transmontanos da actualidade, à margem de movimentos ou escolas.
Como animador cultural, Pires Cabral tem desenvolvido uma vasta actividade cultural nos Serviços de Cultura da Câmara Municipal de Vila Real desde 1978, tendo sido Director da Casa da Cultura da Juventude, entre 1982 e 1984. Esteve envolvido em projectos de grande importância como a participação de Vila Real no Projecto 5.2 do Conselho da Europa (Políticas Culturais nas Cidades); a organização das Jornadas Camilianas e dos Passos de Camilo, ambas acções de estudo e divulgação da obra do grande escritor, tendo sido membro em 1980 da Comissão Nacional das Comemorações do Centenário da Morte de Camilo Castelo Branco; a organização dos Encontros de Etnografia «Saber Trás-os-Montes», dos Encontros de Cantadores de Janeiras e do Salão Luso-Galaico de Caricatura, organizados pela Câmara Municipal de Vila Real. Foi também responsável pela organização das antologias temáticas Douro Leituras, A Emigração na Literatura Portuguesa e Páginas de Caça na Literatura de Trás-os-Montes e Presidente da Comissão Instaladora do Círculo Cultural Miguel Torga.
É director de Tellus - Revista de Cultura Transmontana e Duriense, dirigindo o Grémio Literário Vila-Realense desde a inauguração em 2006. Para além destas actividades, A. M. Pires Cabral revelou a veia de pintor aguarelista, tendo já realizado exposições individuais.
Obras principais: Poesia-Algures a Nordeste. (1974) Solo Arável (1976)  Trirreme (1978)   Nove Pretextos Tomados de Camões (1980)   Boleto em Constantim (1981)   Os Cavalos da Noite. (1982) Sabei por onde a luz (1983) Irgendwo im Nordosten / Algures a Nordeste. Edição português/alemão (1983) Artes Marginais. Antologia poética (1999) Desta Água Beberei (1999) O Livro dos Lugares e Outros Poemas. (2000) Como se Bosch tivesse enlouquecido. (2003) Douro: Pizzicato e Chula (2004) Que comboio é este (2005) Antes que o rio seque (2006) As têmporas da cinza (2008) Arado. (2009) Em prosa, destacam-se Sancirilo (1983) O Diabo Veio ao Enterro (1985) O Homem Que Vendeu a Cabeça (1987) Memórias da Caça (1987) Os Arredores do Paraíso. Crónicas de Grijó (1991) Crónica da Casa Ardida (1992) Vila Real - Charlas com Apostila (1995) Raquel e o Guerreiro (1995)O Diário de C* (1995) Portugal Terra Fria (1997)Na Província Neva - Crónicas de Natal (1997)Três Histórias Trasmontanas (1998)A Loba e o Rouxinol (2004)O Cónego (2007)Trocas e baldrocas ou Com a Natureza não se brinca (2007)   O porco de Erimanto e outras fábulas (2010) O diabo veio ao enterro (2010).
No teatro, O Consultório, O Poço e Seguir Viagem. In «Sete Peças em Um Acto (1977) Crispim, o Grilo Mágico (1980) O Saco das Nozes  (1982), alem de outras já representadas, e inúmeros estudos e itinerários.
Recebeu entre outros o Prémio Literário “Círculo de Leitores”, 1983, com o romance Sancirilo, o Prémio D. Dinis 2006, com Douro: Pizzicato e Chula e Que Comboio é este, o Grande Prémio de Literatura DST 2008, com o romance O Cónego, o Prémio de Poesia “Luís Miguel Nava” 2009, com As têmporas da cinza, o Prémio Pen Clube de Poesia 2009, com "Arado", ex-aequo com a poetisa Maria da Saudade Cortesão Mendes ou o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010, com O Porco de Erimanto e outras fábulas.


P-Você é um conhecido escritor e agente cultural. Como vai o país no campo da Cultura? Quais as patologias e virtudes da vida cultural portuguesa por estes dias?
R- ‘Cultura’ é uma das tais palavras que pode significar mil e uma coisas. Mas, no seu sentido mais habitual (interesse pela criação artística e pelos desenvolvimentos da ciência), diria que não vai bem nem mal, antes pelo contrário… Noto ainda assim que vai havendo um interesse crescente pelos fenómenos culturais e também uma crescente difusão dos mesmos, muito em resultado da acção das associações, mais do que das instâncias oficiais. Em resumo: não diagnostico nenhuma patologia inquietante nem particulares virtudes. Temos a cultura a que qualquer país periférico da Europa pode aspirar.

P-Como definiria a sua obra? Acha que se veio afastando dum registo inicial ou tem um timbre a que entende fixar-se?
R- Ela é tão vária que dificilmente suportará ser definida. Mas creio poder reconhecer nela dois pontos salientes: a sua dependência da cultura popular, por um lado, e, por outro, a busca incessante de um sentido para a vida. Isto desde o início, desde o primeiro livro (Algures a Nordeste, 1974) — o que responde à segunda parte da pergunta.
P-Qual pensa ser o futuro do livro e da leitura nesta época de redes sociais e audiolivros?
R- Penso que o livro existirá sempre, não será aniquilado pelos modernos processos tecnológicos. Mas temo que cada vez mais se transforme num objecto, deixando a sua função de divertir, comover, formar, informar, para suportes mais expeditos, como são os informáticos. O futuro (próximo) o dirá.
P-O que anda a escrever e vai publicar proximamente?
R- De momento, estou em pousio — isto é, repouso retemperador. Porque acabei de entregar na editora (Cotovia) um original intitulado Cobra-d’água que deve sair dentro de dois ou três meses.
P-Enquadra o seu trabalho nalguma corrente literária ou estética? Qual?
R- Não. É claro que sofro influências de muita gente, mas procuro ter uma voz autónoma, individualizada. Por natureza, sou avesso a escolas literárias.
P-É conhecida a sua ligação à escrita da Galiza. Que traços comuns ou distintivos encontra nesse caldos de cultura entre Trás -os -Montes e Douro e a vizinha Galiza?
R- Não é uma ligação assim tão forte. Digamos que fui durante muitos anos elemento do júri do Prémio ‘Cidade de Ourense’ (um importante certame anual, a que podem concorrer, e têm concorrido, e até vencido, poetas portugueses). De resto, mantenho relações esporádicas com um ou outro escritor galego. São essas as ligações. Que encontram a sua justificação no reconhecimento que faço da identidade cultural entre o Norte de Portugal e a Galiza, mormente os respectivos interiores rurais.
P-O escritor é um fingidor, um esteta, um profeta ou um solitário?
R- Penso que pode ser tudo isso ao mesmo tempo, e ainda mais. Mas é sobretudo um homem — condição que não deve esquecer nunca, mas alguns esquecem, procurando aninhar-se num cantinho qualquer do divino.
P-Que contributo traz hoje em dia o Portugal rural e interior para a maneira de ser português? A emigração não destruiu um certo tipo de país, ou pelo menos tê-lo-á desvirtuado?
R- Nenhum contributo, creio. Antigamente acreditava-se (ou fingia-se acreditar) que o homem rural era um reservatório de virtudes cívicas e éticas que podia exportar para o mundo da cidade. A tal coisa do ‘homem dum só parecer / dum só rosto e duma fé’, de Sá de Miranda. Mas isso acaba por ser folclore. Os homens são iguais em toda a parte. E o Portugal rural e interior tem uma voz que mal se faz ouvir nestes tempos de estandardização, em que todos tendem a assemelhar-se a um modelo de homem que está a ser moldado pelos órgãos de comunicação social (e também de algum modo, pegando nas suas palavras, pela emigração), sem qualquer respeito pelas diferenças que, longe de constituírem uma desvantagem, constituíam uma riqueza.
P-O que há de busca interior na sua obra poética? Ou não há necessariamente uma busca interior? Quais são os seus autores de referência? E aqueles onde pode estar a luz no poetar dos nossos dias? 
R- Não será propriamente busca, porque infelizmente acho que já encontrei o que procurava. O que agora faço é roer incessantemente o incómodo osso que resultou da dita busca. Quanto a apreciações sobre companheiros de escrita, não mas peça. Temo ser involuntariamente deselegante com alguma omissão também ela involuntária… Em todo o caso, e em termos gerais, sempre lhe digo que considero haver uma pujança notável em muitos dos chamados novos. Mas também há muito epigonismo, muita imitação sem rasgo, muita acomodação a cânones.
P-Costuma dizer-se que depois de Sartre a pós-modernidade colocou os intelectuais numa posição descentrada. O que é ser intelectual hoje? Se o intelectual nasceu com a Cidade, hoje, com a globalização terá virado funcionário? O intelectual é um "escriba obscuro" como escreveu Foucault?
R- Tudo isso são especulações mais ou menos filosóficas, mais ou menos ociosas. Não acrescentam nada à condição do escritor. Só lhe digo que, no dia em que sentisse que, como escritor, me estava a transformar num funcionário, nesse mesmo dia encerrava para balanço e nunca mais reabria.
P-Quem escreve e relata mundos de imagens alguma vez deixa de ser escritor? Pode haver uma morte nos escritores ainda em vida? Ou podendo não se nascer escritor, morre-se sempre escritor?
R- Ser escritor é vestir uma pele que dificilmente se despe depois. Mas cada escritor é um caso. Pode perfeitamente haver um escritor (não digo que seja o meu caso) que considere que, depois de ter escrito o essencial do que tinha para partilhar com os leitores, decida meter a viola no saco e emudecer. Como em tudo o mais, não se pode generalizar.
P-A sua poesia é classificável, ou classificar é limitar?
R- Isso não me pertence a mim dizer. Quem costuma classificar os escritores e a sua obra são os críticos. Só sei que me esforço por fugir a cânones e por manter uma voz ‘independente’.
P-Qual entende ser a sua obra mais conseguida? Já se zangou ou arrependeu por ter escrito alguma delas?
R. Uma vez mais receio que um qualquer juízo que eu possa fazer redunde em injustiça. Mas arrisco, mesmo assim, supondo que estamos a falar de poesia (que não constitui a totalidade da minha obra, como sabe). Citando não um, mas três títulos: Algures a Nordeste, pelo élan seminal: ali estão já, em embrião, todas as linhas poéticas que explorei posteriormente. Além disso é o primeiro livro — e o primeiro livro é como o primeiro amor… Depois citaria Como se Bosch tivesse enlouquecido, pelo empurrão decisivo que me deu para entrar na temática da morte e das agonias existenciais. Finalmente Que comboio é este, pela sua concisão e coesão. Quanto à segunda parte da pergunta, dir-lhe-ei que não estou arrependido de nada que tenha escrito (salvo porventura umas croniquetas de jornal ditadas pela indignação de momento — sempre má conselheira —, em que posso ter sido deselegante, ou umas tentativas teatrais já muito longínquas). Tal como Sá de Miranda, que já foi citado acima, os meus versos «nunca acabo de os lamber / como ursa os filhos mal proporcionados».
P-Pode dizer-se que o escritor escreve sempre o mesmo livro e toda a obra é autobiográfica?
R- É outra das grandes frases feitas (diria mesmo: das maldições) que turvam a actividade literária. Acredito que o escritor põe sempre a máxima parte de si no que escreve, e por isso é forçoso repetir-se aqui e ali. Mas há sempre algo de novo em cada novo livro. No dia em que sentir que estou no limiar de repetir-me infecundamente, pararei.
P-O que anda a fazer e que projectos tem para o futuro imediato? 
R- Já disse acima que estou de pousio… Os escritores são como a terra: não podem ser explorados continuamente, exigem pausas para reflexão e amadurecimento. O que está mais nas minhas intenções imediatas não é nenhuma obra literária, mas um estudo que ando a revolver há anos sobre linguagem popular transmontana. O que não quer dizer que, de um momento para o outro, não possa dar uma cambalhota e atirar-me de cabeça a um qualquer projecto literário. Sou (e gosto de ser) imprevisível.
P-A poesia pode salvar?
R- A poesia o que pode fazer é emocionar, amotinar, ajudar a reflectir. Salvar não pode. Aliás, salvar de quê? As receitas salvíficas são para a religião, não para a poesia.
P-Jacinto Prado Coelho dizia que ensinar a ler é facultar aos estudantes os instrumentos mentais para a análise do texto literário. O que pensa que procura o Leitor quando busca uma obra literária? Redenção, Contestação, Cumplicidade, Conhecimento, ou simplesmente voyeurismo? O Leitor é generoso ou é um ser distante e que tem de ser conquistado?
R- Uma vez mais, não se pode generalizar. Cada leitor é um caso. Quer dizer: cada leitor exige sua coisa de uma obra literária. Uns buscam conhecimento, outros buscam entretenimento, outros buscam inquietação. Uns estão predispostos à empatia com o autor, outros são-lhe à partida adversos. O mundo dos leitores é ainda mais complexo do que o dos escritores. Pessoalmente, fico satisfeito quando sinto que conquistei um leitor; mas não ranjo os dentes quando outro leitor me faz saber que não gostou de algo que escrevi.
P-Disse um dia que nos seus livros gosta de matar quem quer. Se ficcionalmente tivesse de fazer desaparecer alguma personagem da nossa vida colectiva recente, quem “mataria” e porquê?
R- Disse e repito. Foi uma resposta que dei a alguém que notava que na minha obra de ficção havia muitas mortes. Ora, o escritor é livre de, no mundo irreal que cria, usar as personagens a seu bel-prazer. Pode matá-las ou deixá-las viver, ninguém tem nada com isso. Agora na vida real, mais devagar. Mesmo ficcionalmente, não há rigorosamente ninguém da nossa vida colectiva recente que eu deteste a ponto de a fazer desaparecer. Sou muito tolerante.
P-Tem alguma ligação literária ou sentimental com Sintra? Como vê o misticismo a que se costuma associar Sintra no panorama cultural português?
R- Infelizmente, nenhuma. Só estive em Sintra uma vez, num congresso camiliano, e deu para perceber que era, nos anos 90 do século passado, uma espécie de paraíso terreal. Confesso que não sei se ainda assim se mantém — isto é, se os especuladores imobiliários já fizeram a Sintra o mesmo que têm feito metódica e sistematicamente à generalidade das cidades e vilas do país. Espero que não, e que Sintra mantenha intacta aquela aura mística, como você diz, que lhe assenta tão bem e cada vez melhor em tempos que não vão para misticismos — ou vão favoráveis a misticismos deletérios.
P- A Alagamares é uma associação cultural local de divulgação e promoção de conhecimento e conhecimentos. Haverá um novo paradigma do associativismo cultural numa  era da Sociedade da Informação e do trabalho em rede?
R- Não me parece que tenha havido uma mudança substancial de paradigma. No fundo, os anseios são os mesmos de há vinte ou trinta anos atrás, e exigem das associações as mesmas respostas. Há é que tirar partido dos instrumentos e ferramentas que a Sociedade da Informação põe ao nosso alcance — isto é, reificá-la sem a deificar.
P-Por fim, como vê o estudo da literatura portuguesa nas escolas? A quem se iniciasse agora no mundo da leitura, que obra recomendaria, portuguesa ou estrangeira?
R- Há muito que estou afastado da vida escolar e, em todo o caso, só ocasionalmente fui professor de literatura portuguesa, e isso já há muito tempo. Não sei pois como andam os programas. O que me parece é que se deve incentivar sempre e cada vez mais nas escolas o estudo da literatura, que considero ser um abrir de portas e perspectivas culturais só comparável nesse papel à filosofia. À segunda parte da pergunta, desculpará, mas não respondo. Primeiro, porque tudo dependeria da pessoa em causa: a pessoas diferentes, recomendações diferentes. Segundo, porque a minha recomendação seria sempre uma forma de paternalismo — coisa que não quadra comigo em absoluto.


Entrevista de Fernando Morais Gomes
 

Escritores vivos de Sintra

Liberto Cruz, Maria Almira Medina, Miguel Real, Filomena Marona Beja, Raquel Ochoa, Luís Filipe Sarmento,Jorge Telles de Menezes, Helena Langrouva, Sérgio Luís Carvalho- conheça aqui a obra de alguns dos principais escritores de ficção vivos naturais ou residentes em Sintra. Lista incompleta, como sempre nestas ocasiões, todos com grande e relevante actividade, e cuja leitura é obrigatória.
Depois do desaparecimento há 2 anos de M.S.Lourenço, ainda não devidamente lembrado na terra onde nasceu e viveu, elenca-se aqui a nossa selecção, sem ordem de apresentação relevante:



Liberto Cruz

Nascido em Sintra, em 1935, é uma figura de prestígio da cultura portuguesa, no plano nacional e internacional. Poeta e ensaísta, crítico literário, tradutor, conferencista, licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, colaborador do antigo Jornal de Letras e Artes, da revista Colóquio Letras, fundador da revista literária A Síbila, membro da Associação Internacional de Críticos Literários, exerceu actividades docentes e diplomáticas em França durante 22 anos.Foi um notável impulsionador do estudo de literatura africana de expressão portuguesa nas universidades de Rennes e de Vincennes (Paris), de 1967 a 1976. Exerceu com brilho, eficiência e generosidade as funções de Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Paris, de 1976 a 1988. De regresso a Portugal foi convidado para director de serviços da Fundação Oriente, em Lisboa. Foi recentemente integrado na secção de Cultura da missão da UNESCO, em Portugal, fazendo ainda parte da Direcção da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. Liberto Cruz tem sido ainda convidado para júris literários, seminários e colóquios nacionais e internacionais. É um sintrense raro pela sua cultura e pelo seu trato humano, a quem muito se deve. Sintra deverá sempre reconhecê-lo e dele orgulhar-se. Dele escreveu Helena Langrouva:
“Como sintrense, modelado pela beleza e o mistério de Sintra, em Caderno de Encargos, Liberto Cruz concentra em alguns sonetos o seu regresso às origens e à casa paterna (son. 20, pg. 32), à Serra de Sintra (son. 20, pg. 32), ao rio da sua infância (son. 39, pg. 51), à atitude meditativa que a sua companheira árvore lhe inspira (48, pg. 60). O retorno a esse espaço não é de quem dele se afastou voluntariamente, - "não sendo um filho pródigo / volto à casa paterna / e com saudades chego / como quando parti" (son. 22, pg. 34), mas a renovação de um afecto que perdurou, apenas inexoravelmente alterado pela morte da mãe . "Nada mudou. Faltas tu / mãe e de repente tudo / foge já nada existe" (ibidem).
O regresso à serra, ao seu silêncio agudiza a consciência da sua própria identidade embora evoluída no tempo que simultaneamente o torna "outro" no seu ser, no seu modo de olhar a paisagem, na mudança do seu próprio corpo - "À serra volto ainda / No silêncio das pedras me vejo então um outro / mas o mesmo sendo"... "outra forma de estar / perante a mesma paisagem / aceito".... "o mesmo sinto um outro / na viagem do meu corpo / as pedras a serra vendo" (son. 18, pg. 30).
O seu corpo a envelhecer parece renovar-se correndo "em redor do velho corpo da serra adormecida", o qual se transforma pela magia de "duendes e fantasmas", "camélias, túlipas"... "de rosas e buganvílias / agapantos araucárias" (son. 38, pg. 50). Essa magia rejuvenesce a serra e suscita saudade em ambos - "Em redor do jovem corpo / da jovem serra de Sintra / de novo corro. Antigo / agora o corpo meu / de saudades de um rio / em mim e na serra correm" (ibidem). É a nostalgia comungada da juventude do sujeito do poema e da paisagem da sua infância como se a serra fosse animizada na sua velhice, embora sempre renovada, no seu corpo, por seres mágicos, flores e árvores. A Serra de Sintra é ainda contemplada nas suas cores, aves, silêncio, pedras, ervas, para acompanhar o mistério da presença da vida e da morte, identificáveis com "sinais de um deus". O divino manifesta-se na própria identidade e beleza da serra, companhia da vida e da morte - "Entre a vida e a morte / é a montanha divina" (son. 20. pg. 32).
Bibliografia: Momento, Sintra, 1956; A Tua Palavra, Sintra, 1958; Névoa ou Sintaxe, Sintra, 1959; Itinerário, 1962; Gramática Histórica, 1971 (pseudónimo, Álvaro Neto); Distância, 1976; Ciclo, 1982; Jornal de Campanha, Cacilhas, 1986; Caderno de Encargos, Lisboa, 1994; Júlio Dinis - Análise Bibliográfica, Paris, 1971; José Cardoso Pires, Lisboa, 1972.
Jorge Telles de Menezes

Poeta, tradutor, dramaturgo, cultor de spoken word. Sintra estruturou a sua existência. O verdadeiro cosmopolita é o mais puro defensor da tradição. Cresceu como ser humano quando traduziu Martin Heidegger e William Faulkner. De poesia publicou os livros In einer Fremden Stadt e Selenographia in Cynthia. É contra a civilização do petróleo, só usa transportes públicos. Recentemente editou Novelos de Sintra, de que se disse “ Um homem, uma mulher, uma montanha, uma casa, todos os outros homens e todas as outras casas, aldeias pequenas, médias e grandes e uma cidade. Sem nomes, eles são arquétipos das relações entre os humanos e entre estes e o património natural e construído. A meio do novelo, escapa contudo um topónimo que lhe retira o carácter universalista, pois afinal a utopia tem um nome – «Acordou no paraíso que o homem roubou para a terra ao reino de Deus: a montanha de Sintra». Desdenhando da necessidade de conceder verosimilhança à sua narrativa, o autor aproxima a sua novela da tradição de realismo fantástico – e não pede sequer permissão ao leitor para lançar para a cena personagens improváveis vivendo situações impossíveis. Se quisermos aproximar a novela de Telles de Menezes de um referente português, poderemos sem dúvida fazê-lo em relação às novelas de José Saramago, que aspiram a afirmar-se, segundo o Nobel luso, como «um espaço criativo onde devem estar o ensaio, o drama, a filosofia, a ciência», oferecendo-se como «um depósito da sabedoria humana»
Está presentemente empenhado na revista literária online Selene-Culturas de Sintra. Entrevistei-o recentemente, uma extraordinária viagem pelo pensamento contemporâneo para ler em:
Maria Almira Medina

Nome  incontornável de poeta, pintora, caricaturista e jornalista, sendo a sua “Menina Girassol” um título hoje incontornável. Foi igualmente directora do Jornal de Sintra. A decana da Cultura em Sintra.
Maria Almira Pedrosa Medina nasceu em Tavarede, Figueira da Foz, a 29 de Agosto de 1920, mas vive em Sintra desde os seis anos de idade.
É licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, possuindo também o curso de Ciências Pedagógicas. Quando docente, foi animadora de uma acção de ensino do teatro e da poesia junto de escolas secundárias e coordenadora de jornais escolares impressos, que incentivaram exposições, colóquios e actividades regionais.
Como artista plástica, expõe desde 1943, abrangendo a sua multifacetada actividade a pintura, o desenho, a cerâmica, a ilustração, o desenho animado, a caricatura, a trapologia, a joalharia, os têxteis, a publicidade e o estilismo.
Fez a sua primeira exposição colectiva em Sintra – “I Exposição dos Artistas Sintrenses” (1943) – e a sua primeira exposição individual em Lisboa, na Galeria “Stop” (1945), tendo depois exposto em vários locais, desde a sua terra natal, Figueira da Foz, até à sua terra de adopção, Sintra.
Nas exposições que realizou, ao longo de mais de 65 anos, passou pelas localidades de Albufeira, Estoril, Coimbra, Lisboa, Oeiras, Oliveira de Azeméis, Porto, Porto de Mós, Vimeiro e ainda a Ilha de Jersey (Grã-Bretanha), entre vários outros locais.
Maria Almira Medina conta ainda no seu curriculum com diversas colaborações em vários jornais, revistas e livros escolares, alternando textos com ilustrações. A autora conta com seis livros publicados, estando a sua obra presente em várias antologias poéticas.
Foi membro da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Associação dos Amigos de Ferreira de Castro, Associação Portuguesa de Educação pela Arte, Associação Cultural Sol XXI, sendo actualmente membro da Associação de Escritores, Instituto de Sintra e cooperadora da Sociedade Portuguesa de Autores.
Ao longo da sua extensa carreira, Maria Almira Medina granjeou vários prémios e distinções, o primeiro dos quais em 1948 – 1º Prémio no “Concurso de Caricatura da Gente da Rádio”, promovido pela Casa do Pessoal da Emissora Nacional, em 2009 foi homenageada pela Câmara Municipal da Figueira da Foz (em simultâneo com uma homenagem a seu pai, António Medina Júnior).
Miguel Real

Miguel Real é o pseudónimo literário de Luís Martins (1953 -) Escritor, ensaísta e professor de filosofia. Em 2006, conquistou o Prémio Literário Fernando Namora com o romance A Voz da Terra. Licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa e Mestre em Estudos Portugueses pela Universidade Aberta, com uma tese sobre Eduardo Lourenço.É, actualmente, colaborador do JL, Jornal de Letras, Artes e Ideias onde faz crítica literária. É ainda radialista na Antena 2, no programa Um Certo Olhar com, Maria João Seixas, Luísa Schmidt, Carla Hilário Quevedo e Luís Caetano.
Bibliografia: Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa (2007)O Último Minuto na Vida de S. (2007)O Último Negreiro (2007) Quidnovi O Último Eça (2007] Quidnovi 1755 - O Grande Terramoto (2006) Europress O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa (2006) Quidnovi Voz da Terra (2006) O Último Guerreiro (2006) O Último Eça (2006) A Voz da Terra (2005) Quidnovi O Essencial Sobre Eduardo Lourenço (2003) I.N.- C.M. Eduardo Lourenço - Os Anos da Formação 1945-1958 (2003) I.N.- C.M. Os Patriotas (2002) Europress Geração de 90 (2001) Campo das Letra A Visão de Túndalo Por Eça de Queirós (2000) Difel Portugal.Ser e Representação (1998) Difel A Verdadeira Apologia de Sócrates (1998) Campo das Letras Narração, Maravilhoso, Trágico e Sagrado em «Memorial do Convento» de José Saramago (1996) Editorial Caminho A Morte de Portugal, entre outros. Recentemente editou na Planeta “História do Pensamento Português Contemporâneo 1890-2010  Prémios Literários :Prémio Revelação de Ficção da APE/IPLB em 1979 (O Outro e o Mesmo)Prémio Revelação de Ensaio Literário da APE/IPLB em 1995 (Portugal – Ser e Representação)Prémio LER/Círculo de Leitores 2000 (A Visão de Túndalo por Eça de Queirós)Prémio Fernando Namora da Sociedade Estoril Sol em 2006 (A Voz da Terra), entre outros.
Luís Filipe Sarmento

Luís Filipe Sarmento nasceu a 12 de Outubro de 1956.  Escritor, Tradutor e Realizador de Televisão Jornalista desde 1970, publicista, editor, realizador de cinema e vídeo. Licenciatura em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Professor de Escrita Criativa. Alguns dos seus textos encontram-se traduzidos em inglês, espanhol, francês, italiano, mandarim, japonês, romeno, macedónio, croata e russo. Produziu e realizou a primeira experiência de Videolivro feita em Portugal para o programa Acontece para a RTP, durante sete anos. Membro do International P.E.N. Club. Membro da Associação Portuguesa de Escritores. Coordenador Internacional da Organization Mondial de Poétes (1994-1995). Membro do International Comite of World Congress of Poets. Presidente da Associação Ibero-Americana de Escritores (1999-2000). Algumas das suas obras: Fim de Paisagem; Matinas, Laudas, Vésperas, Completas; Boca Barroca; Crónica da Vida Social dos Ocultistas, entre outras dum vasto percurso de mais de 30 anos. A seguir, entrevista com o mesmo, efectuada com o signatário para o site da Alagamares-Associação Cultural:
Helena Langrouva


Natural da freguesia de São Martinho de Sintra e residente em Sintra, é Licenciada em Filologia Clássica (Universidade de Lisboa), Maître ès Lettres Modernes - Cinéma (Montpellier III - Université Paul Valéry), Pós-graduada - D.E.A. (Paris III - La Sorbonne Nouvelle), Master of Arts e Master of Philosophy (Londres - King's College) em Estudos Portugueses e Doutorada em Literatura (Lisboa, Universidade Nova). Investigadora interdisciplinar, em particular da Cultura Clássica, Renascentista (séculos XV e XVI) e do século XX, foi recentemente convidada a integrar um grupo de investigação em História da Arte, na Faculdade de Letras de Lisboa. Foi leitora de Língua e Cultura Portuguesas nas Universidades de Montpellier e Rouen, França, leccionou Literatura no ensino superior, com passagem pelo secundário onde leccionou Grego, Latim e Português. Escritora, publicou A Viagem na Poesia de Camões, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian e FCT, 2006; Actualidade d'Os Lusíadas, Lisboa, Roma Editora, 2006; De Homero a Sophia. Viagens e poéticas, Coimbra, Angelus Novus, 2004; Arpejos de uma viandante/Arpèges (poesia bilingue), Lisboa, edição de autor, 2003; ensaios nas revistas Brotéria, O Tempo e o Modo e Critério (Lisboa), em volumes colectivos. Traduziu Lanza Del Vasto, Não-Violência e Civilização - Antologia, Lisboa, Brotéria, 1978; Jean Joubert, O Homem de Areia (romance), Lisboa, Difel, 1991. É co-organizadora e co-autora de Humanismo para o nosso tempo - Estudos de Homenagem a Luís de Sousa Rebelo, Lisboa, patrocínio da F. Gulbenkian (contacto:APPACDM-Braga), 2004. Foi encarregada da Biblioteca Municipal de Sintra - Palácio Valenças- nos seus tempos de estudante, tendo organizado, com um grupo de Amigos da Biblioteca, actividades culturais, no Palácio Valenças e no antigo Cine-Teatro Carlos Manuel. Tem escrito ao longo da vida e continua a dedicar-se à escrita. Estudou Artes Musicais - Canto Clássico: Curso Geral e em privado (Lisboa), Canto Gregoriano, Popular e Litúrgico (Lisboa e França); pratica Canto a solo e em grupo. Estudou Artes Plásticas – Desenho e Pintura (Lisboa e Paris) e Iconografia (Paris). Realizou exposições individuais de Pintura em Sintra, Lisboa e Évora. Desenha e pinta ícones inspirados na tradição grega e russa, em têmpera sobre madeira, que ela própria prepara e disponibiliza através do Atelier Saint Rapahel (www.atelier-st-raphael.pt.vu). A sua página no Triplov tem o endereço www.triplov.com/helena/.
Sérgio Luís Carvalho

Licenciou-se em História (1981) e é mestre em História Medieval (1988).Foi  Director Científico do Museu do Pão.
Publicou os romances “Anno Domini 1348” (Edição C. M. S., 1990; Prémio Literário Ferreira de Castro 1989; finalista do Prémio Jean Monnet de Literatura Europeia, Cognac 2004 e finalista do Prémio Amphi de literatura Europeia Lille 2005), “As Horas de Monsaraz” (Campo das Letras, 1997), “El-Rei-Pastor” (Campo das Letras, 2000), “Os Rios da Babilónia” (Campo das Letras, 2003), “Retrato de S. Jerónimo no seu Estúdio” (Campo das Letras, 2006), entre outros, sendo a sua obra mais recente “O Destino do Capitão Blanc”(Planeta,2009,
Alguns dos seus romances estão traduzidos e publicados em França e Espanha. É ainda autor de vários livros de investigação histórica e literatura juvenil.Entrevista para o site da Alagamares-Associação Cultural em:
Filomena Marona Beja

Filomena Marona Beja, que nasceu em Lisboa a 9 de Junho de 1944,trabalha em documentação técnico-científica e foi já distinguida pelo romance “A cova do lagarto” publicado em 2007 pela Sextante Editora.
Para além deste livro, a escritora tem publicado outros romances que foram muito bem acolhidos pela crítica, como é o caso de “As Cidadãs (Cotovia, 1998) ”, “Betânia (Cotovia, 2000) ”  “A Sopa (Âmbar, 2004) ” ou “Bute daí Zé!”(2010).Tem também publicado vários contos. O seu mais recente intitula-se “Gil Eanes”, na Antologia “Viana a Várias Vozes” (comemorativa dos 750 anos do Foral de Viana do Lima).
Raquel Ochoa

Raquel Ochoa, revelação no panorama literário, residente em Sintra, nasceu em 1980. Na sequência de uma viagem de vários meses pela América Central e do Sul, editou O Vento dos Outros, em 2008. No mesmo ano publicou Bana – uma Vida a Cantar Cabo Verde, a biografia de um mais populares músicos africanos.
 Em 2009 venceu o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, com o romance A Casa-Comboio, a saga de uma família indo-portuguesa ao longo de quatro gerações.
 A Infanta Rebelde é a sua primeira obra publicada pela Oficina do Livro.

O património arqueológico de Sintra


                                            Anta de Adrenunes

Como está o património arqueológico do concelho de Sintra? Nos tempos mais próximos vamos fazer um levantamento da matéria. Para já, a listagem da Sintra Arqueológica. Conhecem estes lugares? Aos leitores deste espaço que conheçam situações de abandono ou vandalismo, ou possuam fotos de algum destes locais, agradecemos o contacto ou envio para info@alagamares.net .
Divulgaremos com identificação dos autores. A seguir, a lista completa:


Monumentos nacionais: a anta de Adrenunes, a anta de Agualva, a anta de Belas e o monumento pré-histórico da Praia das Maçãs, no Outeiro das Mós.
Monumentos naturais: o Monumento Natural de Carenque e as jazidas icnofósseis da Pedreira de Santa Luzia na Quinta de Santa Luzia, Belas
Imóveis de interesse público: a villa romana de Santo André de Almoçageme, a necrópole pré-histórica do Vale de São Martinho, as ruínas de São Miguel de Odrinhas, as ruínas da antiga barragem romana donde partia um aqueduto para Olisipo, ao quilómetro16,423 da estrada nacional n.º 250, o monumento megalítico do Pego Longo, em Belas, a calçada, ponte romanas e azenha na Catribana, S. João das Lampas e o conjunto megalítico da Barreira, em S. João das Lampas.
Imóveis em vias de classificação: o complexo arqueológico de Olelas, em Almargem do Bispo, o tholos da Praia das Maçãs, a villa romana de Abóbadas, em Vila Verde.
Do património arqueológico devem ser particularmente protegidos e preservados os seguintes sítios arqueológicos: a via romana da Centuriação Romana a noroeste de Assafora, a via romana que vem de Mafra para Olisipo (Lisboa) passando por Cortesia, Areias, Amoreira e Montelavar, a via romana Assafora-Catribana, a via romana São Miguel de Odrinhas-Faião; os sítios arqueológicos de Assafora (jazidas paleolíticas), o casale romano do Mato Tapado, o casale romano da Cabeça dos Sete Moios, a gruta com ocupação pré-histórica do Fogo dos Morcegos, a villa romana das «Cornadelas/Ermidas», o povoado da Idade do Cobre, em Pedranta, a estação proto-histórica na arriba da Samarra, a sepultura pré-histórica (Samarra), a estação romana (Cortesia), a necrópole medieval da Igreja de Nossa Senhora da Consolação (Assafora), a villa romana e necrópole visigótica (Torres-Casal de Pianos), ocasale romano (Pombal, o Camalhão - Casal de Pianos), o casale romano (Parede Bem Feita), a necrópole romana de incineração (Fetal), a estação calcolítica (Fetal), a estação medieval com ocupação muçulmana(Casal de Pianos), as jazidas neolíticas (Catribana), a azenha (Catribana), a ponte e calçada romana (Catribana),a estação romana e a necrópole romana (Castelo de Catribana), a estação romana (Areias), a gravura rupestre da Lage Erguida e jazidas paleolíticas (Magoito), a necrópole medieval e tardo-medieval da igreja matriz de S. João das Lampas e a necrópole medieval da Capela do Espírito Santo (S. João das Lampas), a estação pré-histórica das «Pedras Negras» (Bolelas), a villa romana (Amoreira), a estação proto-histórica (Pedras de Oiro),a estação romana (Cerrado Grande), os menires (Barreira), a estação neolítica, a estação da Idade do Bronze e a estação romana (Funchal), a villa romana, a necrópole romana, a necrópole medieval (S. Miguel de Odrinhas),a cidade romana (Faião), a villa romana e os menires (Rebanque), a estação neolítica da «Fonte Figueira» e de«Lafões» (Pedra Furada), a estação neolítica e calcolítica dos «Barruncheiros» e a sepultura proto-histórica do«Rei-Mouro» em Negrais, as jazidas paleolíticas (Praia das Maçãs), a estação epipaleolítica da «Praia do Magoito» (Magoito), a necrópole da Idade do Bronze do «Pinhal dos Cochos» e a necrópole romana dos«Espadarais» (Magoito), as jazidas paleolíticas (Praia da Aguda), a necrópole medieval e povoado pré-histórico(S. Mamede de Janas), a oficina de talhe de sílex (Gouveia), as ruínas da Ermida Medieval da Senhora do Ó e a villa romana (Pernigem), a anta das «Pedras da Granja» (Várzea de Sintra), a necrópole medieval da Capela de S. Sebastião e a necrópole tardo-medieval da Igreja Matriz de S. João Degolado (Terrugem), o povoado calcolítico (Alto do Montijo), a villa e a fonte romana (Armés), a estação romana (limites de Abremum), a necrópole medieval da igreja matriz de Montelavar (Montelavar), a estação neolítica calcolítica (Outeiro), a villa romana (Granja dos Serrões), o povoado proto-histórico do «Monte da Maceira» (Maceira), o campo de lapiás da Granja dos Serrões com ocupação neolítica e da Idade do Bronze, a estação paleolítica das «Terras das Cenouras» (Granja dos Serrões), a villa romana (Casal do Silvério), a estação do Paleolítico Médio (Várzea do Almargem), a necrópole tardo-medieval da «Igreja de S. Pedro» (Almargem do Bispo), o povoado e grutas com ocupação pré-histórica (Olelas), a reserva arqueológica compreendendo o tholos (sepultura pré-histórica)da Praia das Maçãs e outros vestígios pré-históricos e a aldeia medieval (Praia das Maçãs Norte) e a reserva arqueológica compreendendo o santuário romano «do Sol e da Lua», o fortim filipino (Praia das Maçãs Sul), as pistas de icnofósseis (Praia Grande), as jazidas paleolíticas (Praia da Adraga), a estação pré-histórica da«Adraga» (Adraga), a estação pré-histórica (Vinhas da Funcheira), a villa romana (S. André de Almoçageme), a aldeia medieval do Covão, a necrópole romana da «Ilha», no Pinhal da Nazaré, o «Castelo de Colares», a necrópole da igreja matriz de Colares e os silos medievais , a estação romana da «Quinta da Areia» (Mucifal), a villa romana do «Lugar do Mercador» (Mucifal), a necrópole moçarábica (Moinho da Torre), as ruínas do Convento Gótico do Carmo (Janas), o povoado pré-histórico (Castanhais), as estações pré-históricas, proto-históricas, romana e medieval (Sintra - vila), a gruta com ocupação pré-histórica(Sintra-Estefânea), a necrópole pré-histórica do «Vale de S. Martinho» (Sintra), a estação proto-histórica e romana (Santo Amaro), a villa romana das «Abóbodas» (Vila Verde), a villa romana, a igreja e necrópole medieval (S. Romão), o povoado pré-histórico (Cortegaça), as minas e estação romana(Monte Suimo), o Forte de Espinhaço ou da Roca, vulgo «Tribunal dos Mouros» (cabo da Roca), a anta de «Adrenunes», o santuário da Peninha e a estação proto-histórica (Peninha), a necrópole medieval (Milides, Colares), o tholos (sepultura pré-histórica) da «Bela Vista», (Quinta da Bela Vista), a estação pré-histórica(Capuchos), o tholos do «Monge» (Monge), o povoado calcolítico da «Penha Verde» (Quinta da Penha Verde),a estação pré-histórica (Parque da Pena), o povoado neolítico do «Castelo dos Mouros» - a estação proto-histórica do «Monte do Castelo» -, a estação muçulmana do «Castelo dos Mouros» (Castelo dos Mouros), a necrópole medieval da «Capela de S. Pedro de Penaferrim», a necrópole medieval da «Igreja de S. Miguel»,a necrópole medieval da «Igreja de S. Maria», a estação proto-histórica do «Monte Sereno» (S. Eufémia), o santuário pré-histórico do «Penedo dos Ovos» (Quinta da Penha Longa), a villa romana dos «Corrais do Chão» (Mem Martins), a gruta com ocupação pré-histórica (Rio de Mouro), a necrópole tardo-medieval da «Igreja de Nossa Senhora de Belém» (Rio de Mouro), a anta de Agualva ou do Carrasca(Agualva), a gruta e povoado proto-histórico, a villa romana e a necrópole visigótica (Colaride/Rucanes), a anta da «Pedra dos Mouros» (Belas), a anta da «Estria» (Belas), a anta do Monte Abraão (Belas), monumento megalítico de «Pego Longo», a pista de icnofósseis (Pego Longo), a necrópole tardo-medieval da «igreja matriz de Belas» (Belas), as ruínas de barragem romana (Belas), a villa romana de São Marcos (Cacém) e a estação proto-histórica (Massamá). São ainda património natural os sítios classificados do campo de lapiás da Granja dos Serrões e do campo de lapiás de Negrais.

A Fonte Velha de S.Pedro

UM ARTIGO DE DANIELA COLAÇO


José Alfredo da Costa Azevedo (1907-1991) - entre outras ocupações, foi um investigador e historiógrafo que se debruçou sobre variados temas relacionados com Sintra, a sua História, o seu Património e as suas gentes. Amava esta terra onde nasceu, e a ela devoto, empenhou-se com afinco em diversas causas pela defesa do seu património histórico, cultural, arquitectónico e natural.

Já me foi dito que se nota que sou uma admiradora de José Alfredo, por tê-lo mencionado já várias vezes no meu blogue. A verdade é que sim, sem ter chegado a conhecer pessoalmente esta grande personalidade sintrense, tenho vindo recentemente a descobrir o legado de crónicas, reportagens e artigos que deixou publicado, ao longo de cerca de sessenta anos, no Jornal de Sintra, e que posteriormente a Câmara Municipal de Sintra publicou, numa compilação em sete volumes denominada “Velharias de Sintra”, e sinto-me completamente fascinada pela obra, trabalho de pesquisa e dedicação deste senhor. E acho que me identifico com muitas das suas características biográficas, por isso lhe tenho tanta simpatia e respeito.

José Alfredo costumava terminar um capítulo de estudos sintrenses afirmando que reconhecia não ter feito um trabalho perfeito (não há aqui falsas modéstias) e fazendo votos para que tivesse despertado noutros o interesse e desejo de fazerem melhor - “Seria para mim um grande prazer”, conclui. Ora, longe de mim pensar “fazer melhor” do que a obra de José Alfredo, não é isso a que me proponho. No entanto, muitas das suas descrições foram redigidas ainda eu não tinha nascido e à data do seu falecimento, apenas contava oito anos de vida. A minha curiosidade e motivação estão, sim, em seguir as marcas dos passos que deu – uma nova ronda pelo passado, algumas décadas depois.

Sou de Sintra, mas pertenço ao Mundo, pelo que não tenho estado tão presente (fisicamente) como gostaria. Desta última vez em que estive em Sintra (inícios de Maio), aproveitei para visitar alguns lugares de que José Alfredo fala nos seus livros.

Um dele, situa-se em São Pedro de Sintra, e a descrição que se segue (do autor) incitou-me a lá ir: «(...) este recanto tão poético e silencioso onde, no Verão, gozando a frescura que ele nos oferece, podemos passar umas horas agradáveis, lendo as páginas de um bom livro e bebendo, de quando em vez, umas goladas de água fresquíssima que a fonte nos oferece. Tenho a certeza de que muitos sintrenses não conhecem este pitoresco cantinho da nossa terra.» José Alfredo refere-se à Fonte Velha de São Pedro, a fonte mais antiga do bairro de São Pedro de Sintra, anterior a 1823. Sigo as indicações dadas e chego a um local com uma fonte, na calçada da rua do Rio da Bica. A imagem apresentada no livro (desenho também de José Alfredo, datado de 1921, em baixo) não corresponde totalmente ao que tenho à minha frente, mas a mina mencionada no texto está lá e o candeeiro sobre o muro de pedra é idêntico ao da gravura (tirando, obviamente, o pormenor de ter sido vandalizado...). Também o “denso arvoredo (que) empresta ao local uma frescura que é de aproveitar em dias de canícula” faz-se notar.
 
No entanto, penso que já não lhe seria tão agradável como outrora passar aqui umas horas – o local tem, de certa forma, um aspecto desolado, um amontoado de pedras construído e reconstruído, um candeeiro partido, sons de tráfego rodoviário e máquinas de construção que nos chegam não de muito longe... A água na fonte ainda corre, a insígnia CM bem marcada, mas sem uma data...duvido, por vezes, se será a mesma fonte...
                                                                              



Confirmam-se efectivamente as minhas suspeitas, não se trata da mesma fonte a que se refere José Alfredo como a “ fonte mais antiga do bairro de São Pedro de Sintra”. Algumas imprecisões dos mapas que utilizei induziram-me em erro. As imagens acima são da fonte da Rua do Rio da Bica. Por outro lado, a fonte antiga de São Pedro situa-se não muito longe desta,no final do Caminho da Fonte de São Pedro, paralelo à Rua Visconde Faro e Oliveira, e num gaveto circundado pela Quinta de São Pedro. Seguem, então, abaixo, duas fotografias da verdadeira Fonte Velha de São Pedro. Infelizmente, são também imagens que me deixam, de certa forma, decepcionada, agora já não tanto pelos habituais actos de vandalismo que se verificam por muitos sítios e monumentos do país, mas sobretudo pelo evidente desleixo das entidades responsáveis pela recuperação e preservação de locais de interesse histórico e arquitectónico. É triste comparar as imagens (antigas e recentes) e comprovar a degradação e o ar de abandono deste outrora recanto de inspiração poética...
                                                     




Convido, os que nisso tiverem interesse, a contribuir com alguma informação adicional acerca das eventuais modificações nesta fonte, após os anos 20 do séc. XX e até à data actual. E termino dizendo que nunca é demais lamentar os actos de vandalismo que se verificam constantemente e em todo o lado. Nunca irei entender qual a satisfação que se tem ao quebrar e destruir coisas sem qualquer razão, ódio, ou interesse para isso...


E as pegadas de Carenque?





Como é sabido, existe em Carenque, no concelho de Sintra, uma jazida de pegadas de dinossauros, geomonumento classificado desde 1997 como Monumento Natural. Descoberta em 1986 numa pedreira desactivada situada a 1 Km a SE de Belas, contém um registo fóssil constituído por mais de uma centena de pegadas do início do Cretácico Superior numa pista com mais de 140 m de comprimento (produzidas por dois quadrúpedes herbívoros e icnitos tridáctilos, possivelmente de carnívoros bípedes).
Esta jazida ocupa a laje da antiga pedreira da Quinta de Santa Luzia, um vazadouro que ia ser cortado pelo traçado da Circular Regional Exterior de Lisboa (CREL). A jazida com pegadas de dinossauros de Pego Longo (Carenque), do Cenomaniano médio de Portugal, foi considerada Monumento Natural devido a vários factores: é a jazida com vestígios de dinossauros mais recente de Portugal e tendo em conta a raridade de ocorrências neste período de tempo é um bom contributo para o conhecimento desta fauna; é caracterizada por uma pista longa de um dinossauro bípede, possivelmente ornitópode, e várias outras de terópodes; a pista longa do dinossauro bípede apresenta características particulares com interesse na compreensão dos fenómenos tafonómicos e de conservação; os diversos aspectos geológicos observáveis nesta jazida conjuntamente com as pistas de dinossauros, são elementos científicos com interesse e tornam o sítio um excelente local para o ensino da Geologia (representando um importante apoio para a compreensão dos conteúdos programáticos das disciplinas de Ciências Naturais), tornando-o uma janela privilegiada sobre a vida no passado geológico, em particular, e num pólo de raro interesse para a realização de acções de educação ambiental, em geral, promovendo o respeito pela natureza e pelo património natural; a proximidade da jazida da área da grande Lisboa torna-a previsivelmente um local com enorme afluxo de visitantes, especialmente de alunos de vários níveis de ensino.
Nesta zona protegida há ainda a considerar a existência de uma necrópole, a Necrópole de Carenque, que remonta ao período Paleolítico, inícios do Neolítico.
Encabeçada pelo paleontólogo Galopim de Carvalho, iniciou-se há vários anos uma campanha pela preservação das pegadas deixadas no período Cretássico, há cerca de 95 milhões de anos.
A conservação deste local constituiu um bom exemplo de mobilização da “sociedade civil”, então designada como “a batalha de Carenque", que acabaria por levar o Governo de Cavaco Silva a gastar seis milhões de euros (1,2 milhões de contos) num túnel que evitou a destruição dos vestígios. Nessa altura procedeu-se à moldagem de todas as pegadas em látex, que foi enrolado e levado para o museu. Depois foram cobertas com geotêxtil e cobertas de terra. Após 20 anos sobre esta descoberta, as pegadas de dinossauros de Carenque continuam tapadas, sem ter qualquer utilização pedagógica ou turística.
Uma proposta da autoria do arquitecto Mário Moutinho, foi apresentada à Câmara de Sintra em Novembro de 1995. Mas os anos foram passando, com a proposta encalhada na autarquia e no Instituto de Conservação da Natureza (ICN), organismo do Ministério do Ambiente que só em 1997 classificou a jazida de pegadas de dinossauros como monumento nacional. O projecto seria remodelado a pedido do ICN e entregue de novo à câmara em Novembro de 1999, dando origem a um orçado em cerca de 700 mil contos,que  previa a construção de um "pegário", uma estrutura em vidro sobre as várias pistas, a maior das quais atinge uma centena de metros. Uma escada em caracol da base da laje ao topo da antiga pedreira - onde se situaria o edifício de exposições -, permitiria visualizar as diferentes camadas geológicas e fazia também parte do projecto, que incluía  um jardim de minerais e outro com plantas ligadas ao período Cretácico. Um exomuseu, no fundo, palavra que visa definir um espaço "cujas peças estão fora das paredes [no exterior] e que mostra um conjunto de monumentos geológicos".
Em 2004, a Câmara de Sintra e o Museu de História Natural da Universidade de Lisboa assinaram um protocolo de cooperação  visando concretizar o projecto de museulização da jazida com pegadas de dinossauros de Pego Longo.
A concretização do projecto, denominado Museu e Centro de Interpretação de Pego Longo, seria beneficiada com o acompanhamento científico, museográfico e pedagógico do Museu Nacional de História Natural, que asseguraria a sua correcta execução e bom funcionamento.
Em causa está a falta de verba, orçada em 800 mil euros em 2006, uma vez que o município de Sintra só disponibilizava nessa altura 200 mil euros, caso o grosso do investimento fosse conseguido através de uma candidatura ao programa Interreg, de financiamento comunitário e que veio a falhar. O projecto de musealização não chegou à concretização porque tem falhado o aparecimento do investimento.
Visto o desbloqueamento da verba por parte da autarquia estar dependente do financiamento obtido por outra via, foi realizada uma segunda candidatura dirigida pelo Parque Natural da Serra D`Aires e Candeeeiros ao programa Picture de desenvolvimento regional virado para o turismo e aproveitamento de monumentos naturais.
 Depois de um período de mobilização, a sociedade civil e as autoridades têm estado adormecidas no que a este património concerne. Depois da experiência de geomonumentos como os de Penha Garcia e Foz Côa, para quando o de Carenque? Para que se gastou o dinheiro então? A recuperação do património e a obra de Galopim de Carvalho merecem que se retome este tema, sem que tenham de passar outros 95 milhões de anos.


 


Dois exemplares das pegadas, agora soterradas

 

Núcleos de trabalho da Alagamares-Regulamento



Considerando:


  • que a actividade da ALAGAMARES-Associação Cultural é multifacetada e requer abordagens sectoriais complexas e detalhadas próprias das tarefas a empreender;
  • que os núcleos de trabalho sectoriais da ALAGAMARES poderão ser auxiliares instrumentais e orgânicos da Direcção na prossecução dos seus objectivos e fins;
  • que é entendimento comum que os associados da ALAGAMARES se devem agrupar em grupos temáticos tendencialmente específicos e especializados
Decidiu-se:
1.a) Criar os seguintes grupos de trabalho, doravante designados Núcleos:
  1. Núcleo de Urbanismo, Património e Arquitectura
  2. Núcleo de História e Arqueologia
  3. Núcleo de Literatura, Teatro e Artes Performativas
  4. Núcleo de Ambiente e Ar Livre
  5. Núcleo de Assuntos Económicos, Sociais e da Cidadania
  6. Núcleo de Música
  7. Núcleo de Fotografia e Cinema
  8. Núcleo de Ciência e Tecnologias
  9. Núcleo de Cooperação
  10. Núcleo de Conteúdos e Organização de Eventos
  11. Núcleo de Formação
b) Outros grupos sectoriais poderão ser criados pontualmente para áreas específicas, ou em substituição dos actuais, mediante deliberação da Direcção.
2. Os núcleos constituem estruturas internas de apoio á Direcção, funcionando na sua dependência.
3. Os núcleos serão constituídos por um número variável de associados até um máximo de nove, designados pela Direcção.
4. As funções dos membros dos núcleos correspondem ao mandato dos orgãos sociais, salvo os núcleos que atenta a natureza específica da sua constituição tenham natureza temporária.
5.a) Os núcleos serão orientados por um coordenador que será designado pela Direcção, e será sempre que possível igualmente membro da mesma.
b) Quando o coordenador não for membro da Direcção participará nas reuniões desta sempre que solicitado, mas sem direito a voto.
6. São atribuições genéricas dos núcleos:
a) a realização e promoção de actividades, formação e informação relativa às matérias do âmbito dos mesmos;
b) habilitar e aconselhar a Direcção no conhecimento e aprofundamento das matérias objecto de intervenção;
c) realizar encontros e reuniões internas com os associados na preparação de eventos da área específica, bem como contactar, com conhecimento da Direcção, outras associações, entidades e personalidades que possam colaborar ou se tornem necessárias para a prossecução dos mesmos eventos.
7.1. São atribuições específicas dos núcleos:
a) Núcleo de Urbanismo, Património e Arquitectura
  1. Realização e participação em colóquios, debates e visitas relacionados com o ordenamento do território urbano, florestal, marítimo e patrimonial
  2. Divulgação do património de Sintra, e património cultural em geral, instituindo um Observatório do Território, alertando para situações de risco, sobretudo nas áreas protegidas e centros históricos, bem como nas de desordenamento da construção e das infraestruturas
  3. Participar nas discussões públicas sobre ordenamento e urbanismo que se venham a realizar
  4. Promoção de artigos e alertas no boletim, página web, comunicação social e junto das entidades sempre que se verifiquem situações consideradas de atropelo a direitos e normas legais
  5. Celebração de parcerias com associações e entidades doutras regiões ou países com vista ao conhecimento in locco ou intercâmbio de informações nas áreas do urbanismo, património e arquitectura
b) Núcleo de História e Arqueologia
Promoção e divulgação de eventos, passeios, visitas, artigos escritos ou na página web sobre temáticas da Pré-História e História, de Sintra em particular, por iniciativa própria, de terceiros ou em parceria
c) Núcleo de Literatura, Teatro e Artes Performativas
  1. Promoção de workshops, espectáculos e mostras de teatro, dança, artes circenses, poesia e eventos literários, procurando-se divulgar sobretudo novos talentos, por iniciativa do núcleo, em parceria com outras entidades ou a convite destas.
  2. Difusão em boletim, na página web, no Alagablogue ou através de mailing, de espectáculos e eventos recomendados junto dos associados
  3. Celebração de acordos e parcerias com grupos da área do núcleo com vista à participação de associados em condições apelativas em espectáculos ou eventos.
d) Núcleo de Ambiente e Ar Livre
  1. Realização de passeios pedestres, velocipédicos ou motorizados ancorados em temáticas de educação ambiental, reconhecimento do território nos seus aspectos biofísicos, da orla costeira e marítima
  2. Promoção dum núcleo de BTT e cicloturismo
  3. Promoção de acampamentos, trekking e escalada
  4. Participação por iniciativa própria, em parceria ou a convite de terceiros, em operações de sensibilização e educação ambiental, defesa da natureza, da fauna e flora, do oceano e dos rios, e da poluição a todos os níveis
  5. Promoção de workshops e sessões sobre a temática da defesa do ambiente, da agricultura biológica, alterações climáticas, espécies em risco, jardinagem, e exercício para a saúde
  6. Promoção anual do Dia Verde da Alagamares com programa de actividades interdisciplinar apelando para protecção de valores e ecosistemas
e) Núcleo de Assuntos Económicos, Sociais e da Cidadania
  1. Promoção de debates, colóquios e artigos, escritos ou na página web, sobre temas socio–económicos, jurídicos e da actualidade nacional e internacional
  2. Promoção dum Consultório de Defesa do Consumidor na página web
  3. Criação dum Observatório dos Direitos do Cidadão voltado para o respeito pelas minorias étnicas, as crianças em risco, os administrados sem resposta atempada etc, com produção de textos, apelos, denúncias etc
  4. Organização dum colóquio sobre "Desenvolvimento e Crescimento Sustentáveis em Sintra na próxima década
f) Núcleo de Música
Promoção de mostras, eventos, espectáculos e workshops onde se divulgue a música, nacional e estrangeira, folclórica, popular ou erudita, vocal ou instrumental, divulgando de preferência novos talentos, por iniciativa do núcleo, em parceria com outras entidades ou a convite destas.
g) Núcleo de Fotografia e Cinema
  1. Promoção de mostras fotográficas dos associados ou terceiros e participação em eventos de terceiros, a convite ou em parceria
  2. Promoção de mostras de cinema temáticas, e participação em eventos de terceiros, a convite ou em parceria
  3. Promoção de workshops sobre as temáticas da fotografia e cinema
h) Núcleo de Ciência e Tecnologias
  1. Divulgação, em visitas, debates, colóquios, workshops, etc, em boletim ou página web, de temas científicos e técnicos, da geologia, meteorologia, física, medicina, robótica etc, através de iniciativas da associação, de outras entidades ou em parceria
  2. Manutenção e Melhoramento da Página web, em articulação com a Direcção e o Núcleo de Cooperação
i) Núcleo de Cooperação
  1. Efectuar contactos e troca de informações com outras associações e entidades em geral, públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, na promoção das ideias e valores da Alagamares
  2. Participar em reuniões com entidades e outras associações e em eventos para que a Associação seja convidada a fazer-se representar
  3. Apoiar os membros de outras associações e entidades que participem em iniciativas da Alagamares
  4. Orientar a produção de informação, flyers, folhetos, boletins, magazines, página net ou merchandising que a Alagamares distribua ou promova junto de outras instituições e entidades, em colaboração com o Núcleo de Conteúdos e Organização de Eventos
  5. Promover participação de associados da Alagamares em eventos de outras entidades, se possível em condições apelativas
  6. Preparar textos de protocolos e acordos com outras entidades com vista á cooperação, e analisar os que lhe sejam submetidos para análise e parecer
j) Núcleo de Conteúdos e Organização de Eventos
  1. Promoção do material de divulgação da Alagamares-materiais expositivos e gráficos, logotipos, cartões de visita, banners, etc, quer na concepção gráfica ou de design, quer na da execução
  2. Escolha e reserva de espaços e locais para realização de actividades, convívios ou alojamentos, bem como de transportes, locais de alimentação e repouso, numa óptica qualidade/custo
  3. Gestão do economato e materiais da associação, (computadores, impressoras, papel timbrado, envelopes, telemóveis, etc)em ligação com o Presidente e o Tesoureiro
  4. Gestão do arquivo documental, informático, fotográfico e audiovisual da associação
  5. Guarda e controlo dos materiais de terceiros usados em iniciativas da associação ou em parcerias, bem como dos da associação noutros espaços
  6. Execução e Envio de Mailings, SMS, Press releases e cartas relacionadas com eventos que o núcleo promotor específico não tenha directamente efectuado, ou a pedido do mesmo, com o conhecimento do Presidente e coordenador do núcleo respectivo
  7. Organização de Eventos Especiais-Festas de Aniversário da Associação, Festa de Natal, homenagens especiais, etc.
  8. Organização da logística e apoio às reuniões dos diferentes orgãos sociais da Alagamares
k) Núcleo de Formação
Promoção de cursos, workshops e palestras em áreas não contempladas por nenhum dos núcleos, quer na formação dos próprios dirigentes e associados, em áreas como a informática, gestão do tempo, legislação, línguas, etc., com meios próprios, de terceiros ou em parceria.
2.a) Poderão ser criados grupos de trabalho específicos dentro dos núcleos, para matérias e eventos específicos ou temporários, não contemplados na presente organização, sendo que os colaboradores pontuais que integrarem esses grupos, orientados pelo coordenador do núcleo, deixarão de fazer parte do grupo de trabalho mal o evento ou actividade específico para o qual o grupo foi criado deixe de ter razão de ser.
b) Os grupos de trabalho, e os seus membros, são designados pela Direcção, sob proposta do coordenador do núcleo.
8. Os núcleos funcionam segundo convocatória e orientação do seu coordenador, que proporá á Direcção a composição do mesmo, seu alargamento, redução ou alteração.
9. Sempre que um dos núcleos ora criados nao tenha coordenador designado ou nos períodos de impossibilidade ou vaga do coordenador, assumirá a função deste o Presidente ou o membro da Direcção que este designar.
10.a) Os núcleos reunem pelo menos uma vez por mês, lavrando-se resumo das reuniões para ser presente pelo menos de dois em dois meses relatório parcelar de actividades resumido à Direcção, através do coordenador ou quem este designe para o efeito, em caso de impossibilidade.
b) os critérios, conteúdos e forma das reuniões serão definidos pelos coordenadores, dentro do respeito pelos estatutos da associação.
c) as convocatórias para as reuniões de núcleo deverão ser feitas sempre que possível com antecedência de 5 dias para todos os membros em efectividade de funções, considerando-se como membro do núcleo todo o associado designado expressamente em reunião da Direcção para o integrar.
11. Os núcleos não possuem autonomia financeira, mas podem solicitar apoio administrativo e técnico à Direcção para a prossecução das suas tarefas.
12. Os eventos e intervenções externas a organizar e promover, pela Associação ou em parceria, serão sempre precedidos de aprovação de programa e orçamento em reunião da Direcção.
13. Atenta a natureza dos núcleos as suas decisões não têm eficacia externa imediata.
14. As dúvidas e omissões quanto ao funcionamento dos núcleos serão suprimidas pela Direcção, em reunião ordinária, ou pelo Presidente, no intervalo entre reuniões.